Eu, portadora: Minha vida e a Hipertensão Pulmonar

30 de novembro de 2010

Essa história começa com uma viagem para a praia em pleno feriadão. Após a chegada ao destino e longa horas de trânsito, pensei que o inchaço no meu tornozelo fosse em decorrência desse esforço. O tempo foi passando, o inchaço aumentando e a barriga também inchou. Ficou tudo meio estranho, mas pra que se preocupar? Ah! Não há de ser nada!

No mês seguinte, veio o cansaço ao realizar pequeno esforço físico, como levar a roupa até a lavandeira e os desmaios.

A partir daí foi um medo incontrolável de não poder mais viver, medo da vida estar sento tirada aos poucos e eu, tão jovem, assistindo consciente dia-a-dia a minha transformação numa pessoa inútil.

Todo o medo tem que ter um nome. Quando uni forças fui à busca do nome desse meu medo e encontrei: “Hipertensão Pulmonar”.

A notícia boa foi que não morreria, não tão cedo como quanto eu estava prevendo, mas para isso se tornar realidade a minha vida e os meus sonhos teriam que passar por uma adaptação.

Busquei primeiro ajuda no Instituto Dante Pazanesse, em São Paulo. O Dante é um grande complexo, é preciso um mapa para não se perder lá. Acredito que, se eles entregassem um mapa no momento da sua entrada, eu e meu irmão não teríamos demorado tanto para achar o local da consulta. Saí de lá com o pedido para vários exames e o retorno marcado para dalí dois meses.

Porém dois meses acabou sendo muito tempo e acabei inchando demasiadamente devido a prescrição de quantidade de diuréticos não suficiente, então decidi buscar ajuda aqui em Campinas. Foi assim que passei de cobaia para paciente, pois no Dante a intenção era que eu testasse um novo medicamento.

Como o inchaço (ou anarca) era bem grande (5 cruzes)dei entrada no Centro Médico de Campinas onde recebia Lasix intravenoso. Foi assim que a Copa do Mundo de Futebol de 2010 marcou a minha vida, ela foi a minha grande companheira em todos os momentos hospitalares. Foi, para mim, a Copa do Mundo Solidária.

Com a diminuição do inchaço transferi para Unicamp e lá realizei o cateterismo, procedimento necessário para o recebimento do tratamento.

Agora, posso levantar orgulhosa e dizer: “Eu tenho um CID” (Código Nacional de Doenças).  Na verdade, o CID não é apenas um número, e sim muito importante na hora do portador de HP exigir seus direitos.

Essa história é recente. Faz um ano que tudo começou. O tratamento começou três meses atrás. Os resultados ainda estão sendo analisados.

A vida só está mesmo mais vagarosa. Os problemas pouco a pouco estão diminuindo.

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Uma resposta to “Eu, portadora: Minha vida e a Hipertensão Pulmonar”

  1. maria Says:

    admiro sua coragem de lutar pela vida e uma qualidade de vida melhor Sua frase _eu tenho um cid .realmente com base nessa informação Ja nao andamos sozinhas sabemos o que temos e onde encontrar ajuda …..mesmo nas dificuldades.Eu tinha desistido visto que onde moro em todo estado nao tem tratamento.mas vou a luta…….


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