Estou triste, mas vivo bem

12 de janeiro de 2011

A tristeza é um substantivo abstrato, portanto díficil de entender e de difinir. A minha tristeza pode se assemelhar a daquele cego que pedia esmolas nas ruas de Paris e escreveu “É primavera, eu não posso ver”. Essa é a tristeza de algo que foi tirado da gente sem ser pedido ou autorizado. É a perda de algo que nos custou caro.

A tristeza traz o medo. O medo de que esse estado estado de ânimo se torne permanente e tome conta de nós. Atualmente, é proibido ser triste. Pessoas que se sintam tristes são criticadas, rechaçadas e excluídas. Temos receio de expressar nossos sentimentos e ver nossos amigos se afastarem de nós.

O uso indiscriminado de anti-depressivos criou pessoas com dificuldade em lidar com a tristeza e que assumem a idéia que ela precisa ser combatida, tratada e medicada. Há um clima de pouca tolerância e paciência com pessoas que estão tristes.

Tratamos a tristeza como se fosse depressão.

Ficar triste é normal na vida de qualquer ser humano. Essa melancolia às vezes dura dias, semanas ou até meses.

Ao viver a tristeza você estará se respeitando. Respeitando sua dor, sua necessidade, seu corpo e sua mente. O sofrimento tem um poder incrível de nos fazer crescer. É nos momentos de crise que somos mais produtivos. Quando sofremos uma perda, uma porta se fecha. Em conseqüência disso, contudo, infinitas outras se abrem. É a possibilidade da mudança e do crescimento. Nietzsche já dizia que aquilo que não nos mata nos fortalece.

Não tenha medo de se entregar à tristeza. As nossas lágrimas são como a água de um galão. Há uma quantidade a ser chorada. E isso é inevitável.

Quero poder dizer que não estou bem pra alguém e esse alguém não tentar mudar meu estado. Quero assumir minha tristeza sem receber abraços como se o calor produzido ali fosse me deixar melhor. Quem disse que não posso ficar assim? Quem disse que estar assim é ruim? Eu me permito ficar assim. Eu preciso. Preciso me respeitar.  

“A tristeza tem um motivo real, a depressão não”.

Quero o direito de ser triste, oras! Afinal cada um tem a sua. Viva a sua que eu vivo a minha. Antes viver uma tristeza convicta que uma felicidade mentirosa

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